Um consumidor que não pode ser desprezado. Esta é a forma como os lojistas deveriam estar recepcionando compradores pertencentes à Classe C. Uma pesquisa realizada pela Abep e Homescan da Nielsen mostrou na prática aquilo que já era sentido em shoppings e ruas movimentadas: no ano passado, o número de indivíduos com nível sócio-econômico médio passou para 44% da população brasileira. Isso mostra que, nos últimos dois anos, foram mais de 22,5 milhões de pessoas que ingressaram neste novo estrato social. Com isso, aumenta o número de brasileiros que melhoraram sua situação econômica, como também cresce o número de potenciais novos e valiosos consumidores.
E o comércio das cidades precisa estar atento às necessidades específicas deste público, que tem grande vontade e potencial para compras. Segundo a avaliação do assessor econômico da Fecomércio-RS, Carlos Cardoso, os motivos que levaram a esta melhora na renda do brasileiro são, principalmente, a crescente nos números de vagas de emprego. “Em uma família composta por quatro pessoas, um membro que passe a trabalhar fará diferença em toda a distribuição orçamentária deste lar. Além disso, é importante salientar que os programas sociais de governo acabaram também por contribuir com a renda das famílias. Isso tudo tem um afeito multiplicador na hora das compras”, explica Cardoso.
Para as empresas que desejam atrair e reter cada vez mais os compradores da Classe C - que é a maior classe social – a dica é aprender a atender suas necessidades, mas lembrando que mesmo em uma mesma classe, as pessoas possuem comportamentos diferenciados. A pesquisa da Nielsen indica que existem dois tipos de estilos majoritários que compõem esta Classe C: os conscientes e os batalhadores. “Os conscientes aproveitam as semanas de promoção, se importam com a variedade de produtos e marcas, gostam de comprar tudo de uma vez, escolhem marcas pela relação qualidade/preço, compram aos fins de semana com a família, a cada 15 dias, e procuram por ofertas nos tablóides das lojas que freqüentam”, diz a pesquisa.
Entre os batalhadores, normalmente as mulheres fazem as compras sozinhas, em lojas próximas de casa. Costumam percorrer os pontos de venda em busca de promoções, acham importante a simpatia dos funcionários, escolhem as marcas por preço e promoção, e pagam em dinheiro. Cardoso complementa a informação, destacando que mesmo que seja algo simples, a questão da simpatia nem sempre é lembrada pelas lojas. “Parte das empresas não levam a presteza e simpatia em consideração”, alerta.
A pesquisa ainda acompanha outra tendência dessa nova Classe C. O consumidor atual vai a cada quatro dias fazer compras enquanto em 2005 ia a cada seis dias. No ano passado, ele comprou em seis tipos de varejo – um a mais em relação a 2006. O gasto médio por compra foi de R$ 36,40, o que representa um crescimento de 9%. “A mensagem que fica é de que as lojas que desprezarem este público poderão estar perdendo muito dinheiro”, finaliza o economista.
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