As denúncias sobre escutas no governo do Estado voltaram a dominar os debates na Assembleia Legislativa, durante a Sessão Plenária desta quarta-feira (18). Para o deputado Raul Carrion (PCdoB), a forma como os fatos têm vindo à tona mais parece um "jogo de compadre", onde o Ministério Público estaria a serviço do Poder Executivo. "Não posso avaliar se o ex-ouvidor Adão Paiani tem ou não razão em suas denúncias. Mas tenho convicção de que a relação entre o Ministério Público e o Executivo está viciada. Há uma relação de compadrio que não pode existir nas nossas instituições, porque nem a governadora Yeda Crusius pode solicitar dados e escutas sigilosas. Tudo indica que elas sejam ilegais, pois a Corregedoria da Justiça diz que não há escutas autorizadas em Lajeado", disse Carrion.
O deputado Jorge Gobbi (PSDB) pediu cautela aos demais parlamentares sobre a onda de denuncismo que se assolou no Rio Grande do Sul, principalmente os da oposição que têm se debruçado sobre o tema. "Acredito que a manifestação do deputado Raul Carrion seja involuntária, pois lhe faltou um pouco de fidelidade sobre os últimos acontecimentos", enfatizou.
De acordo com Gobbi, a juíza eleitoral de Lajeado, Nara Cristina Saraiva, confirmou esta tarde que as escutas referentes à investigação contra o ex-presidente da Câmara Municipal de Lajeado, Márcio Klaus (PSDB), foram autorizadas por um período de 15 dias. Quanto a relação de compadrio, o deputado disse que o Ministério Publico merece respeito pois, se fosse verdade, ele mesmo denunciaria supostos benefícios concedidos entre os poderes.
A deputada Zilá Breitenbach (PSDB) também rebateu as críticas de Carrion, afirmando que foi Paini quem não cumpriu seu papel como ouvidor da Secretaria da Segurança Pública. Segundo ela, as denúncias não deveriam ser tão valorizadas pela oposição, porque de tudo que se falou nada foi provado.
Zilá preferiu destacar as medidas adotadas pelo governo do Estado para minimizar os reflexos da crise mundial na economia gaúcha, como por exemplo a redução da alíquota do feijão de 12% para 7% e a prorrogação, até o dia 30 de junho, da base de cálculo do ICMS de 12% para 2%, incidente sobre o trigo, na venda para os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. "Não vou ficar aqui falando de grampos. Vou falar de um governo que trabalha, mas é criticado todos os dias pelas pequenezas daqueles que não acreditam que se pode fazer desenvolvimento", sentenciou a tucana.
Para o deputado Dionilso Marcon (PT), "Adão Paiani era mais um informante da segurança do que um ouvidor". Na opinião do petista, se o ex-ouvidor não comprovar suas denúncias deverá, no mínimo, responder por danos morais contra o Estado.
Marcon anunciou que irá encaminhar pedido para que Paiani seja ouvido na CPI dos Grampos em Brasília e que pretende convidá-lo para prestar esclarecimentos na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia. "Está na hora de pararmos com essa brincadeira. Esta Casa tem que fazer parte dessas questões e tirar a limpo as fofocalhamas. Adão Paiani só falou agora porque perdeu a teta no Palácio Piratini e sociedade não pode ficar alheio a essa questão", disse.
Incentivo à tecnologia
O deputado Adão Villaverde (PT) solicitou ao presidente da Assembleia Legislativa, Ivar Pavan, autorização para que o projeto de sua autoria, estabelecendo uma Lei de Incentivo à Inovação Tecnológica (PL 263/2005), tramite em conjunto com proposta semelhante encaminhada pelo Executivo, nesta quarta-feira (18), ao Parlamento gaúcho.
O projeto do governo, de Inovação Tecnológica do Rio Grande do Sul (PL 31/2009), estabelece medidas de incentivo à pesquisa e à produção no setor, além de proporcionar capacitação, competitividade e desenvolvimento aos diferentes segmentos da economia.