Em seu pronunciamento, na manhã desta sexta-feira (27), a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reconheceu a gravidade da crise mundial, mas disse que o Brasil tem condições de enfrentá-la. “Ela não vai nos ferir de morte, mas vai provocar ferimentos”, declarou. Dilma participou de audiência pública, no plenário da Assembleia Legislativa, que encerrou uma série de debates promovidos em todo o Estado para discutir formas de minimizar os impactos da crise mundial no Rio Grande do Sul.
Setor financeiro em cheque
Conforme a ministra, a crise é profunda, teve reflexos em todo o mundo e é difícil prever o que virá. “É mais grave que a crise de 1929 em sua profundidade, e é uma crise de trilhões de dólares, não mais de bilhões, como foram outras crises nos anos 90”, disse ela, acrescentando tratar-se de uma crise cujo epicentro está nos países desenvolvidos centrais, o que põe em cheque os modelos de financiamento e de relacionamento do setor financeiro com o setor produtivo.
Ela garantiu, porém, que a crise que se desenha no cenário internacional não tem qualquer similaridade com o que está acontecendo no país. Segundo ela, até o terceiro trimestre de 2008, a produção brasileira registrou crescimento de 6,8% e a demanda, 9,3%, enquanto países desenvolvidos, como EUA, Inglaterra e Japão, apresentaram índices decrescentes. “Somos o último país a ser afetado”, disse ela".
Papel do Estado
Antes da fala da ministra, o secretário estadual do Planejamento, Mateus Bandeira, saudou o debate e o diálogo entre os Poderes na busca de alternativas. Destacou a capacidade de investimento do Estado hoje, a recuperação que vem sendo obtida a partir do ajuste fiscal, e apresentou as medidas que vêm sendo tomadas pelo governo estadual. “A crise é séria, mas o governo vem agindo com responsabilidade frente a ela”.
O presidente do Parlamento, deputado Ivar Pavan (PT), explicou que a audiência encerra um ciclo de debates realizados em Porto Alegre e no interior do Estado e considerou acertada a escolha do tema, dada a mobilização do Legislativo e da sociedade. “As salas ficaram pequenas nas audiências públicas. Empresários e trabalhadores vieram para o debate e trouxeram as suas contribuições”, declarou. “E o que nos chamou a atenção foi o grau de acordo em torno do papel do Estado para enfrentar a crise e pensar num novo modelo de desenvolvimento".
Os presidentes das comissões de Finanças (Nelson Marchezan Jr.-PSDB), Economia (Heitor Schuch-PSB) e Agricultura (Edson Brum-PMDB), que, nas últimas semanas, conduziram as discussões sobre o tema em todo o Estado, abordaram as principais contribuições recolhidas no período. Marchezan Jr. disse que é inaceitável afirmar que o pior já passou e chamou a atenção para as responsabilidades dos governos. Heitor Schuch observou que as medidas contra a crise não devem servir para salvar banqueiros, mas para quem trabalha e gera riqueza no país, e Edson Brum disse que o problema não é do governo federal ou estadual, mas de todos e deve ser pensado em conjunto.
Dirigentes de entidades empresariais e de trabalhadores - Vergílio Perius (Ocergs), Guiomar Vidor (Central dos Trabalhadores do Brasil), Sergio de Miranda (Fetag), José Paulo Cairoli (Federasul), Luís Carlos Barbosa (Força Sindical), Altemir Tortelli (Fetraf-Sul) e Paulo Tigre (Fiergs), Celso Woyciechowski (CUT-RS) - defenderam medidas como a redução da taxa de juros, do spread bancário e da carga tributária, a aceleração das obras do PAC, o fortalecimento das empresas e a atuação coordenada das administrações municipais, estadual e federal.
Mesa
Compuseram a Mesa o presidente da AL, deputado Ivar Pavan (PT), a ministra Dilma Rousseff, os secretários estaduais Mateus Bandeira, do Planejamento, e Ricardo Englert, da Fazenda, o deputado federal Henrique Fontana (PT/RS), o desembargador Genaro Borges, e o ex-governador do RS e presidente estadual do PT, Olívio Dutra.
Também prestigiaram o evento os deputados federais Fernando Marroni, Mendes Ribeiro Filho e Emília Fernandes, o secretário da Irrigação Rogério Porto, o secretário da Agricultura João Carlos Machado, o chefe do escritório do Itamaraty, embaixador Cláudio Lyra, reitores de universidades e representantes de mais de 80 entidades.