Pesquisa recentemente divulgada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Rio Grande do Sul (Sebrae/RS) mostrou que, de um universo de 600 MPEs gaúchas de diversos segmentos, 48% acreditam que não sofrerão nenhum tipo de impacto com a instabilidade no cenário econômico mundial. O estudo, apresentado durante o Seminário Tempo de Agir e Criar Oportunidades, em março, na Capital, mostrou também que grande parte dos empresários mantém expectativas positivas de desenvolvimento econômico. Entretanto, para constituir formalmente um negócio de maneira segura e rentável, o planejamento e a busca de capacitações devem ter prioridade para quem deseja abrir sua própria empresa. Para 46,2% dos empresários ouvidos na pesquisa, a ampliação de capacitações em gestão são formas de garantir a sustentabilidade das micro e pequenas empresas.
Um exemplo concreto desse cenário é o da pequena indústria de biquínis Chocollate Brazil, de Porto Alegre, exemplo bem-sucedido de empreendedorismo por oportunidade. Antes de constituir legalmente a empresa, registrada formalmente, em abril de 2008, os dois sócios-proprietários da Chocollate Brazil – Daniela Pasin da Luz e Gérson Salvi Cunha – efetuaram pesquisas de mercado e elaboraram um planejamento para o empreendimento, em um período de oito meses.
Saber que decisões tomar em momentos críticos ou mesmo de que forma proceder quando algo resolve não sair conforme o planejado, são questões que qualquer empresa pode enfrentar. Nessas horas, conhecimentos sobre gestão podem ser uma garantia de sustentabilidade para a empresa. No caso da Chocollate Brazil, a confecção própria da empresa conseguiu, no tempo recorde de uma semana, produzir duas mil peças para abastecer o estabelecimento comercial da marca localizado em Atlântida Sul, praia do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, após a confecção terceirizada que produzia os conjuntos não ter conseguido suprir o número de pedidos. De imediato, a empresa viu-se obrigada a investir em máquinas e mão-de-obra especializada para repor a produção.
Segundo a sócia-proprietária da empresa, Daniela Pasin da Luz, somadas as vendas das peças produzidas em fábrica própria com as produzidas pela confecção terceirizada, a Chocollate Brazil teve um faturamento superior R$ 100 mil, em um período de quatro meses. “Antes de investirmos em uma confecção própria, tínhamos uma empresa terceirizada que produzia os biquínis para a nossa loja no Litoral. Como o número de pedidos aumentou e não podíamos parar a produção, montamos uma estrutura própria, compramos máquinas e contratamos costureiras. Nos meses de novembro, dezembro e janeiro trabalhamos muito e obtivemos um excelente faturamento com as vendas”, assinala.
A empresa também tem procurado acessar novos mercados, como forma de ampliar seu público-alvo. Segundo Daniela, a Chocollate Brazil enviou um lote de 360 conjuntos para o Havaí (Estados Unidos), no último mês de março. Essa nova frente, somam-se as já existentes nas cidades de Porto Alegre, Atlântida, Florianópolis, Garopaba, Balneário Camboriú, Rio de Janeiro e Fortaleza. De acordo com Daniela, a empresa agora trabalha nos preparativos para o lançamento da coleção 2010, que deverá ocorrer no final deste mês. “Vamos partir de um estoque inicial de mil conjuntos. Na medida em que formos vendendo os produtos, vamos fabricar outros lotes da mesma coleção”, prevê.
A proposta da Chocollate Brazil é atingir um público mais maduro, que busca qualidade, conforto, elegância e discrição, sem deixar de lado a beleza, estando sempre conectados às tendências mundiais. O objetivo da Chocollate é fabricar uma moda praia que possa ser facilmente usada em ocasiões descontraídas em que o importante é se divertir sem nenhuma preocupação, como um churrasco com amigos na piscina, uma caminhada na beira da praia ao entardecer ou um banho de sol no clube.