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Porto Alegre: Conheça a biodiversidade do litoral gaúcho

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Publicação: 11/09/2007
Atualização: 11/09/2007


Embora a maior parte dos gaúchos prefira freqüentar somente as areias da praia, o Litoral Norte apresenta várias outras paisagens. Dunas e restingas isolam o mar de um rosário de lagoas entremeadas de campos e matas paludosas. Nos contrafortes da serra, uma abundante flora compõe a Mata Atlântica.
 
 Na região, predominam ventos fortes, principalmente o conhecido como "Nordestão", que ao longo de milhares de anos modelou o contorno das lagoas e ainda hoje desloca a areia que forma os cômoros.
 
 As dunas costeiras têm a função de proteger o continente das freqüentes ressacas do bravo mar aberto. As demais dunas são importantes para armazenar água subterrânea. Neste ambiente vivem lagartixas, tuco-tucos e há uma vegetação rasteira, como a margarida-das-dunas. Na beira da praia, garças e maçaricos se alimentam tranqüilos, principalmente fora da temporada de veraneio.
 
 Nas matas de restinga e lagoas vivem jac
arés-do-papo-amarelo, capivaras, lontras e ratões do banhado. Na floresta habitam quatis, graxains, gambás, tucanos e tatus.
 
 Devido a estes diferentes ecossistemas, a área apresenta uma expressiva biodiversidade. Para se ter uma idéia, o chefe do laboratório de Aracnologia do Departamento de Biologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, o biólogo Arno Antonio Lise, descobriu três novas espécies de aranhas em uma caminhada de três horas pelas restingas do Litoral Norte.
 

 Uma das características marcantes é o conjunto de inúmeras lagoas que ocorrem na planície. Elas são resultado da acumulação de água do mar, da formação de restingas arenosas que represam as águas vindas do continente.
 
 A região foi mais ampla nas fases de regressão marinha, quando o mar pode ter chegado a mais de 100 metros abaixo do nível atual. Depois, voltou a estreitar-se nas fases de transgressão marinha, quando os níveis do mar atingiram de dois a três metros acima do atual, transformando os morros de Torres em um arquipélago e as lagoas em um grande viveiro de moluscos, de onde as populações pré-históricas extraíam seus alimentos, dando origem aos sambaquis.
 

 
 
Os sambaquis
 

 O Litoral Norte gaúcho já foi similar ao de Santa Catarina. As ondas do mar batiam nas rochas da encosta da serra, no Morro Alto, Terra de Areia e Três Cachoeiras, onde hoje passa a BR-101. Isso foi há quatro mil anos, durante o último aumento do nível do oceano no continente. "A planície costeira foi inundada, transformando as falésias de Torres em um paleoarquipélago", lembra Arno Kern no seu livro "Antecedentes Indígenas".
 
 O pesquisador ressalta que a regressão marinha só ocorreu aproximadamente há 3 mil anos, quando teve início novo período de frio e de seca. Nesta época, tribos indígenas anteriores aos guaranis, chamadas de sambaquianas, moravam no litoral, que, por sinal, foi uma das últimas áreas do Estado ocupada pelos antepassados pré-históricos devido justamente aos avanços e recuos do mar.

 
 Um registro de trajetórias desses primeiros moradores da orla são os sambaquis, antigos depósitos localizados ora na costa, ora nas lagoas ou rios do litoral, formados por montões de conchas, utensílios de cozinha e esqueletos. Kern, que pesquisa sítios arqueológicos há 20 anos, diz que o litoral tinha muitos sambaquis. Em Torres, por exemplo, havia grandes concentrações destes sítios arquelógicos.
 
 Hoje, entretanto, a especulação imobiliária e a retirada das dunas, entre outros fatores, fizeram com que este patrimônio quase desaparecesse do mapa. Um dos que ainda resistem, embora extremamente reduzido de seu tamanho original, é o Morro dos Índios, em Xangri-Lá. É possível avistar da Estrada do Mar o monte circundado de casuarinas.


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