2º LUGAR Concurso Literário ENART 2002
CTG Coronel Thomaz Luiz Osório Pelotas
O campo vasto com pastagem intensa
E o gado gordo alicerçava as platas;
A propriedade era respeitada
E as pessoas eram mais sensatas.
Um tempo antigo, de antigos anseios,
E pela lida o homem se forjava,
A terra fértil a fome sufocava
Ao se render a razão da enxada.
A esperança pelo dia-a-dia
Brotava forte, com tons de porfia,
Pra que ninguém se bandeasse pra estrada.
Um tempo antigo, aonde o respeito
Em tudo e em todos estava presente,
Se apresentava de modo inerente
Com a moral e a honestidade;
Apreço o homem tinha na palavra,
E este sim, era a maior lavra
De sua honra e dignidade.
Até as casas eram diferentes,
Varandas grandes, bacias de cobre,
Janelas largas que emolduravam
Paisagens ricas de semblantes nobres.
Guardava inclusa em suas entranhas
Valores santos da eterna família,
Simples exemplos pra quem segue a trilha
Na retidão buscando se espelhar.
A alma imensa, ainda de criança,
E pelas peças saudosas lembranças
Dos que partiram pra não mais voltar.
A gritaria vã do piazedo
Fazia eco na melancolia,
E as geadas pelas manhãs frias
Se amenizava num mate buerano.
O Pai e a Mãe os filhos educavam
E deste modo a índole formavam
Valorizando o amor ao ser humano.
A natureza trazia a imagem
E a arquitetura de um Deus Patrão
E renovava toda a redenção
Com bênçãos dadas pelo Pai Notório,
Havia respeito pelo que é sagrado
E tudo isso era reverenciado;
Nada era feito em laboratório.
O vento ameno soprava segredos,
Cantos silvestres de alma singela
E, a ternura abria cancelas
Como quem abre um grande coração;
A amizade era uma prova dada
De que a pessoa era valorizada,
Não pelas posses, mas por afeição.
Um tempo antigo, de antigos anseios
Que se perderam pelos corredores,
Porque o mundo buscando progresso
Desfez idílios e inverteu valores.
Pena que as coisas tenham regredido
Fazendo a vida entenebrecer
E até o direito que assiste o ser
Tem dependência na ação da sorte.
O tempo farto já não mais cintila
E o campo vasto transformou-se em vila
Pros que campeiam sem rumo e sem norte.
A urbanidade reflete as tristezas
Que o ruralismo vem se deparando,
Tropas de gente as ruas habitando
Sem que uma mão venham lhes estender,
Só falam agora em tecnologia
E o homem simples vive em agonia
Juntando lixo pra sobreviver.
O campo era vasto com pastagem intensa
E o gado gordo alicerçava as platas;
A propriedade era respeitada
E as pessoas eram mais sensatas.
Mas saibam senhores, donos do progresso,
Que nos ensina coisas a vivência
E prova disso é a consciência
De preservar nossos verdes matizes.
Saibam que o simples uma riqueza encerra
E aprendam senhores, que o respeito a terra
É reverência as próprias raízes.
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