O deputado Raul Pont (PT) criticou nesta quarta-feira (1º), durante o período do Grande Expediente, a decisão do governo do Estado em fechar as escolas itinerantes sem consultar as comunidades atendidas por este serviço. "Do ponto de vista do gasto escolar, seria muito mais barato manter a escola itinerante, uma experiência que deu certo e que serviu de modelo para outros estados. Mas estamos diante de mais uma irregularidade e já nos manifestamos a respeito do assunto junto ao Ministério Público, pois a entidade que contratava os educadores populares e prestava os serviços não participou do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Esta é a primeira vez que ouço falar de um termo de ajustamento em que as partes não foram chamadas, apenas o Ministério Público e a Secretaria da Educação", lamentou.
Na opinião de Pont, a medida tem motivação ideológica. "Lamento que estejamos vivendo um patrulhamento ideológico e uma perseguição a quem tem a coragem de pensar por conta própria e estudar os grandes pensadores e educadores do nosso Brasil". Ele se refere à manifestação do promotor de Justiça Gilberto Thums, que considera obras pedagógicas como de Paulo Freire, disponíveis nas instituições de ensino, uma subversão. "Essse cidadão tem uma mentalidade fascista e, certamente, sofre de uma indigência cultural, por não conhecer pensadores desse lastro e amplitude", sentenciou.
O petista foi além: "As escolas itinerantes, que têm sido uma solução para os deserdados do campo, para aqueles que precisam acampar por falta de terras em um Estado tão pródigo em terras, são castigadas não pelo Ministério Público, mas por promotores desse calibre".
Com relação à merenda escolar, o parlamentar denunciou que a secretária de Educação, Mariza Abreu, está orientando as coordenadorias regionais a dizerem que o governo federal não está repassando dinheiro para a compra de alimentos. Na verdade, segundo ele, o repasse de verba foi suspenso porque a SEC não apresentou nenhuma solução aos problemas apontados no ano passado em auditoria realizada pela União. "O que o Estado está fazendo? Talvez, passando parcialmente recursos do salário-educação para as escolas não ficarem sem nada, recursos que não são para a merenda, mas para qualificação, melhoria do ensino, para capacitação, qualificação com biblioteca, laboratório e melhoria das condições de trabalho nas escolas", assinalou.