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Terno de Atiradores

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Page Views: 1646
Publicação: 01/10/2007


 Se alemães (além de italianos, espanhóis/castelhanos, poloneses, negros e todas as demais etnias que chegaram ao Rio Grande do Sul) se miscigenaram com os descendentes de portugueses para formarem o que resultou no homem gaúcho, as culturas também passaram por uma miscigenação.
 
 E o Terno de Atiradores é um bom exemplo disso. Grupos de pessoas que, segundo a tradição alemã, visitavam e saudavam as residências em determinadas datas, incorporaram alguns detalhes dos Ternos de Reis do ciclo natalino gaúcho, criando o que passou a ser conhecido nas regiões alemãs apenas como Terno, segundo estudos de campo feitos por pesquisadores do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF).
 
 — Embora denominada, popularmente, de Terno (com a presença de Mestre e Contramestre), esta manifestação tem um sentido dominantemente profano. O grupo estava constituído só de homens adultos, vestidos comumente à moda agrícola, onde, além de músicos e cantores, destacava-se a presença peculiar de portadores de espingardas, cujas armas eram confeccionadas em oficinas artesanais (ferrarias) e chamadas de "reiúnas". Talvez em alusão àquelas usadas pelos militares no tempo do reino português, no Brasil — mostra o IGTF.
 
 Gaita e violão são os instrumentos mais comuns no Terno, onde não faltam alguns personagens voltados para o entretenimento: três palhaços ou espantalhos e até mesmo um homem vestido de mulher, "grupo este que dá o toque hilariante à festividade", destaca o IGTF.
 
 — No Terno de Atiradores - que se constitui de 15 a 25 homens (às vezes vai até 40) - destaca-se ainda o spruch, figura que, através de discursos mais ou menos improvisados, em alemão colonial ou em português-teuto, saúda o dono da casa visitada, augurando-lhe um Feliz Ano Novo, saúde à sua família, mesa farta e boas colheitas. Entre momentos de alegria e ditos jocosos, o spruch pede licença para que os atiradores descarreguem suas armas, num sentido simbólico de sepultar o ano que finda — registra o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
 
 Quando chega em uma casa o Terno canta, dança, bebe e, claro, degusta os deliciosos pratos típicos coloniais oferecidos pela família visitada. As espingardas são apoiadas em suporte de madeira e não ficam no ombro, como é habitual.
 
 Costuma ocorrer dos diversos Ternos se reunirem para a Festa ou Baile dos Atiradores do Ano Novo, também muito típica na área alemã. Na sociedade escolhida para a reunião, eles descarregam suas armas de acordo com a tradição, desfilam no salão com suas espingardas e fazem duas coisas de que gostam muito: comer os pratos típicos e beber muita cerveja.
 
 As restrições impostas durante a Segunda Guerra Mundial na região de colonização alemã praticamente colocou um fim aos Ternos de Atiradores, mas com o tempo a tradição foi sendo recuperada e se mantém viva em municípios como Dois Irmãos, Sapiranga, Rolante, Campo Bom, Taquara, entre outros.


Fonte:  





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