Para comemorar os 200 anos de Rio Pardo, a Assembleia Legislativa abriu suas portas, nesta segunda-feira (16), para expor as potencialidades e atrativos culturais e turísticos da cidade, na Galeria dos Municípios. A mostra acontece até a próxima sexta-feira (20), das 8h30 às 18h30, na entrada do Parlamento gaúcho.
O deputado Edson Brum (PMDB), que representou o presidente Ivar Pavan (PT) na inauguração da exposição, destacou os esforços do Legislativo estadual em contribuir para o desenvolvimento da cidade, principalmente na produção de arroz, de soja e da bacia leiteira. O parlamentar, natural de Rio Pardo, também tem acompanhado, junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o projeto de Pequenas Centrais Hidrelétrica (PCHs) para instalação de uma unidade no Anel de Dom Marco, que terá capacidade para abastecer toda a região.
Existe ainda a expectativa de que o governo do Estado inicie em abril as obras na RS/403, que liga Rio Pardo a Cachoeira do Sul. De acordo com Edson Brum, "o asfaltamento dos 62 quilômetros da rodovia irão assegurar o escoamento da safra de uma das principais regiões produtoras do Estado".
História
Uma das quatro cidades mais antigas do Estado, Rio Pardo surgiu por uma necessidade de estratégia militar, pois era o ponto mais a oeste do império português no Sul da América em um período em que as fronteiras eram móveis. A boa posição do Forte Jesus, Maria, José, onde hoje está sediada a Corsan, suportou as invasões castelhanas e foi decisiva na expansão do Rio Grande do Sul. Estudiosos acreditam que a conquista da Campanha, Missões e Fronteira deu-se a partir do município e que, no início do século 19, a cidade rivalizava em importância com Porto Alegre, capital da província já naquela época.
A economia de Rio Pardo ganhou impulso, nos últimos anos, com a expansão da fronteira agrícola e novos investimentos. Culturas que praticamente não existiam até o final da década de 90 hoje ocupam grandes áreas e fazem girar maior capital. A produção de soja, por exemplo, dos 6 mil hectares existentes em 2000, passou para 23 mil na última safra. A área com trigo neste mesmo ano era inexpressiva, com 150 hectares, e passou para 750 hectares. O município também praticamente não possuía plantação de canola e hoje a área chega a 650 hectares, assim como de cevada, com lavouras que atingem cerca de 500 hectares.
De acordo com o prefeito Joni Lisboa da Rocha, o município está num dos melhores momentos e sobrando emprego no setor primário. "O campo é uma opção real e nosso objetivo é incentivar os rio-pardenses, que buscaram nos grandes centros urbanos uma oportunidade de emprego, a retornarem ao município para gerar emprego, renda e desenvolvimento", disse Rocha.
Sua importância também é evidenciada através da literatura. Quando resolve dar folga à vida bandida, Capitão Rodrigo Cambará monta seu bolicho em Santa Fé e o abastece em Rio Pardo. A cidade aparece durante toda a obra O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo. Outro livro que o cita é a Casa das Sete Mulheres, de Letícia Wierzchowski. Possui, ainda, um conjunto arquitetônico e histórico de valor para o Estado, sendo tombada pelo Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul.
Rio Pardo não foi oficialmente a capital do Estado, mas sediou vários governos e fez surgir de suas terras cidades como Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul e Santa Cruz do Sul. Criado em 7 de outubro de 1809, o município foi instalado somente em 20 de maio de 1811.