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Publicação: 11/09/2007
Atualização: 11/09/2007
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São muitas as histórias do banditismo nos Campos Neutrais. Assaltantes, ladrões de gado e assassinos, procurados no Brasil e Uruguai, aterrorizavam a população da região, transmitindo-se, de geração a geração, informações esparsas que terminaram chegando aos livros de história, algumas das quais muito curiosas. Conta-se, por exemplo, que havia grupos especializados no ataque a navios que passavam próximo à costa. Colocavam tochas nos chifres dos bois para simular a existência de faróis sinalizadores, desviando assim a rota das embarcações. Como a costa é muito perigosa, com traiçoeiros bancos de areia, e o mar bastante agitado, os navios acabavam encalhando e, então, eram saqueados. Entre Chuí e Maldonado, no Uruguai, contam-se 60 navios encalhados próximo à costa -- uns atraídos pelos saqueadores e outros em consequência das condições da costa, com bancos de areia e muitas rochas. Entre Chuí e Rio Grande existem também inúmeros navios. Embora se conte que alguns deles estariam carregados com prata e ouro que seguiam das colônias espanholas para a Espanha, até hoje ninguém conseguiu provar isso, não havendo qualquer pista dos tesouros. Mas os navios estão lá. Como são muitos, a região chega a ser apontada como sendo um cemitério de navios. O navio mais famoso, afundado na região, é o "Prince of Wales", de bandeira inglesa, que deu origem à chamada "Questão Christie", relatada em nossa história. Depois do naufrágio, a 30 quilômetros ao sul do Farol do Albardão, os ingleses acusaram os brasileiros de terem saqueado o navio. Indignados com a acusação, moradores da cidade de Rio Grande chegaram a fazer uma passeata de protesto na cidade. E hoje, mesmo passado tanto tempo, ainda há quem veja o que restou do velho navio, quando a maré está muito baixa. O Farol do Albardão está a 87 quilômetros da Barra do Chuí, pela beira da praia. A região é deserta, as praias perigosas, mas quem arriscar uma aventura pode fazer um passeio muito bonito, viajando com muito cuidado até o local, aconselhando-se bem sobre as condições do trajeto, em Santa Vitória do Palmar. Os interessados devem falar com motoristas de táxi ou de ônibus. Além do Albardão, há ainda o Farol da Sarita, na divisa dos municípios de Santa Vitória do Palmar e Rio Grande, a 135 quilômetros da Barra do Chuí. O acesso até lá também somente pode ser feito por barco ou pela beira da praia, valendo a recomendação feita em relação ao Albardão: ninguém deve se aventurar a fazer a viagem antes de ouvir o pessoal que conhece bem o percurso pois, se a maré subir rapidamente, não haverá para onde fugir com o carro. No farol da Barra do Chuí também é possível fazer visitação. Trata-se de um lugar igualmente interessante e de acesso mais fácil, a partir do Chuí.
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