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TURISMO - APARADOS DA SERRA


Aparados da Serra
As lendas dos Aparados

Versão 1: um rapaz de Santa Catarina, no sopé dos Aparados, encilhou sua mãe ao saber que ela havia soltado seu cavalo. Esporeou-a por horas seguidas, mas sem conseguir matá-la. Depois de oito dias virou um animal peludo, com unhas muito grandes e rosto humano. Mesmo assim foi cuidado pela mãe até morrer.

Versão 2: nas Contendas, perto da localidade de Tainhas, descendo a Serra do Pinto, no local onde em meados do século passado ocorreram violentos combates durante a Guerra dos Farrapos, surgiu um homem metade gente metade tatu, cujo espírito nunca conseguiu se libertar desta vida.

Versão 3: cinco irmãos, colonos do interior de São Francisco de Paula, que gostavam de caçar quati, foram para mais uma caçada liderados pelo mais velho, que tinha um chapéu de quati. Tendo se afastado um pouco, este, confundido com um quati, por estar com o chapéu, foi morto a tiros pelos irmãos, que estavam escondidos num "grotão" no Rincão dos Kroeff, esperando sua caça. O pai, o velho Pulve, que até há alguns anos estaria morando em Igrejinha, orientou os filhos a informarem à polícia que a morte foi acidental. Um ano depois o irmão começou a "aparecer" à noite, gritando, chamando pelos irmãos.

Em três versões, essa é a estória do "gritador", o personagem mais importante e temido do folclore dos Aparados. "Dizem que é uma alma perdida", tentam explicar velhos moradores que afirmam ter visto uma foto, tirada no lado catarinense, logo depois que houve a transformação do homem no animal peludo, como punião por ter esporeado a mãe.

Mesmo pessoas mais esclarecidas, que já trabalharam na administração do Parque Nacional dos Aparados da Serra, dizem ter ouvido os gritos estridentes conhecidos em toda a região, mais freqüentes em noites muito escuras, partindo do ar.
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Bruxas atacam cavalos

As noites de lua - segundo outras estórias dos Aparados - são povoadas pelas bruxas, que gostam de cavalgar cavalos tubianos (de duas cores), enquanto fazem tranças com sua crina. Elas não são visíveis, mas sua conversação é audível - são murmúrios e uma risada fina, como a das conversas de comadres, contam os moradores.

É comum os cavalos aparecerem com as crinas trançadas, mas em contraposição à crendice de que isso é obra de bruxas, as pessoas mais esclarecidas na região procuram explicações científicas segundo as quais isso seria da responsabilidade de morcedos.

Na região, entretanto, predomina a versão atribuindo o fato aos seres sobrenaturais das noites de lua, com o que concordam os antigos moradores, que até indicam uma receita de tratamento preventivo contra o trançamento de crinas dos cavalos durante os passeios das bruxas: passar alho - "a gente não sabe por que, mas se passar alho na crina, ela não é mais trançada", dizem.

As bruxas também são culpadas na região quando as crianças ficam doentes, magras, não comem e choram a noite inteira. Anêmicas, fracas ou miúdas, elas são vítimas de bruxas e não de qualquer mal que possa ser explicado cientificamente. Tem que se fazer uma "simpatia" para melhorarem, dizem os moradores.
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Disco voadores próximo ao Fortaleza

Discos voadores também cortam o espaço aéreo noturno dos Aparados, mas, a este respeito, há quem diga que não se trata apenas de folclore ou crendice. Eles desceriam no Morro da Lagoinha, a uns 15 quilômetros da sede do parque, próximo ao canyon da Fortaleza, onde alguns velhos moradores prometem passar a noite qualquer hora dessas para conferir se é mentira ou se é verdade.

De qualquer forma, há ali um estranho magnetismo que faz relógicos e bússolas funcionarem irregularmente, sem ter sido dada, até o momento, qualquer explicação científica convincente. Daí a curiosidade dos velhos moradores como Marçal Francisco Lipp que, quase aos 80 anos, ainda gosta de conversar com as pessoas mais velhas da região, para recolher histórias, estórias e folclore do local em que habita desde quando se casou com dona Maria.

Numa dessas ocasiões ouviu que uma "bugra" revelou ao "Trajano" que, em certo morro da região, há uma fortuna que daria "para o Brasil inteiro". De certa forma isto também tem relação com as lendas segundo as quais os jesuítas e índios das reduções dos séculos XVII e XVIII teriam espalhado tesouros por todo o Estado, inclusive nas frias paragens dos Aparados.

Reforçando estas versões, há o "barreiro", num campo próximo à Fazenda Malacara, onde teria sido encontrado o osso de uma canela de um dos índios, com mais de quatrocentos anos. Numa furna, que teria sido ocupada pelos índios, já foram encontrados inúmeros objetos, conta o velho Marçal.

Por fim, há a lenda da "bola de fogo", que pode ligar cemitérios de antigos ocupantes da região ou o gado morto enterrado nos pastos ao atual folclore, já povoado pelo gritador, bruxas e discos voadores. Quando sai faísca é boitatá, quando não sai é mãe do ouro, ensina seu Marçal. Aparece somente à noite, mesmo com chuva, nos campos dos Aparados. Não queima nada, não persegue ninguém, mas gosta de andar perto das pessoas, que se assustam. E com razão, é claro.

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