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Fronteira Gaúcha
Uma região pobre, com muitas riquezas
Na Zona Sul e nos municípios da vasta faixa de fronteira
do Rio Grande do Sul há em torno de dois milhões de habitantes, pouco mais de 20% da
população gaúcha numa área que se aproxima de 60% do território do Estado.
Do extremo-norte, no município de Derrubadas, ao extremo-sul, em Santa Vitória do
Palmar, existem especializações econômicas diferentes, mas realidades muito parecidas.
Passa-se da pequena propriedade que já não permite o sustento de enormes famílias e que
sobrevive com os cultivos de subsistência cada vez mais minguados (ao norte), à grande
propriedade da Campanha (no Sul), onde predomina o gado e, de Jaguarão em direção ao
Chuí, se destaca o arroz.
Nestas áreas maiores há espaço mas, em vista das atividades ali desenvolvidas,
empregam-se muito poucas pessoas. Uns poucos peões podem tocar enormes estâncias com
gado, enquanto as lavouras de arroz são totalmente mecanizadas. Assim, de São Borja para
o Sul, a densidade demográfica é muito baixa - certamente uma das menores de todo o Sul
do país. Na Cmpanha, essa densidade está em torno de 10 habitantes por quilômetro
quadrado, contra uma média de 35 em todo o Estado. Na parte fronteiriça do Noroeste do
Estado a densidade demográfica é mais alta, mas isto não enriquece a região.
A Região Sul, polarizada por grandes cidades como Pelotas, Rio Grande e Bagé, teve uma
queda em sua participação no PIB estadual, desde 1939, de 30% para menos de 20%.
De qualquer maneira, dessas regiões procede a maior parte da carne consumida e do arroz e
da cebola comercializados pelo Estado: quase toda a pesca, quase todos os fertilizantes e
a totalidade do calcário aplicado nas lavouras, bem como toda a matéria-prima destinada
à produção do cimento gaúcho. Também é dali, especificamente de Pelotas, que saem
quase todas as conservas de frutas e de produtos vegetais como o aspargo que ainda são
produzidas no país.
Entre Bagé, Pinheiro Machado e Herval, estão 35% das reservas nacionais de carvão, num
volume avaliado em 12 bilhões de toneladas.
Mas,apesar de tudo isso, não é só a presença no PIB que vem caindo. Nos últimos anos
a participação dessa vasta área na produção industrial do Estado também vem
declinando.
O Reconversul, um programa idealizado pelo Governo Federal, com um forte envolvimento do
Governo Estadual, pode ser uma esperança. Mas, na virada do milênio, a Zona Sul,
Fronteiras e a vasta região ao sul da BR-290, conhecida como Metade Sul, ainda é uma
área bastante pobre, contrastante com o resto do Estado.
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