Gramado
Agroturismo
(Fonte: Prefeitura Municipal)
A Secretaria de Turismo de Gramado, em parceria com empresas da região,
implantou quatro linhas de ônibus turístico para percorrer cada um dos
roteiros de agroturismo do município. Destacando a cultura e a
preservação ambiental, o agroturismo tornou-se uma atividade
auto-sustentável e uma fonte extra de renda para as famílias do
interior. “Além dos ônibus, as empresas oferecem o passeio em vans que
partem do centro da cidade levando os turistas ao interior e
proporcionando um grande desenvolvimento e movimentação dos roteiros”,
afirma o secretário de Turismo, Luiz Antonio Barbacovi. Os ônibus são
raridades dos anos 50 e decorados com malas antigas. Eles partem
diariamente da Praça das Comunicações, de fronte a Casa do Colono e o
passeio cultural que inclui degustação, custa R$ 30 por pessoa. A
iniciativa envolve a Secretaria de Turismo, a empresa Fly Bus e a
agência Rota Sul. Escolha o seu roteiro e divirta-se.
Informações pelo telefone
(54) 286.2476 ou (54) 295.1300.
Raízes Coloniais – percorre
as localidades da Linha Bonita e Linha Nova, onde o turista visita uma
casa construída pelos primeiros imigrantes há mais de cem anos, um museu
caseiro com peças da imigração italiana, um moinho, uma fábrica
artesanal de erva-mate e uma propriedade típica colonial, na qual o
visitante é convidado a degustar vinhos, pães, queijos e salames
caseiros.
Mergulho no Vale – uma das
mais belas paisagens de Gramado é o Vale do Quilombo, que pode ser visto
de um mirante próximo ao centro da cidade. No entanto, seu interior
esconde cascatas e paisagens naturais mais belas ainda que podem ser
conferidas em uma visita pelas propriedades locais. O contato com a
natureza e os mistérios deste vale completam a aventura.
Encantos Coloniais - Através
de uma estrada sinuosa e cheia de penhascos chega-se a lugares pouco
explorados e com paisagens magníficas em meio a Linha Moreira e Serra
Grande. Com sorte, é possível avistar algum animal nativo passeando pelo
campo. Este roteiro também inclui degustações e visitas a casas de
colonos descendentes de imigrantes europeus.
O Quatrilho - Vales e
riachos compõem o cenário das localidades de Campestre do Tigre e
Tapera, onde viveram os protagonistas do romance O Quatrilho, de José
Clemente Pozenato. Em uma propriedade de família alemã pode-se conhecer
e saborear um típico café colonial alemão (Typisches Kaffee) preparado
com cucas, geléias, pães e lingüiças.
História de uma terra e seu povo
A hospitalidade de Gramado
está intimamente ligada a sua história. A área onde hoje está a cidade
servia de passagem para tropeiros que tocavam o gado pelos campos de
cima da Serra, no fim do século XIX. Quando chegavam ao topo da Serra,
tanto tropeiros quanto imigrantes encontravam um pequeno campo de grama
macia e verde que servia de repouso e revigorava suas forças. Este
gramado, segundo alguns, foi responsável pelo batismo da cidade. Para
outros, a origem do nome da cidade está em outra história: quando se
desejava ir a Serra Grande (na época um dos principais acessos do Vale
dos Sinos a serra), devia-se tomar extremo cuidado para não perder o
momento de dobrar a esquerda em uma das curvas onde se erguia um imenso
carrapicho, perto do qual corria um riacho.
A grama que ali crescia era
muito suculenta, verde escura e com folhas largas. Na boca do povo este
lugar era chamado de Gramado. Em 1875 registra-se a presença dos
primeiros imigrantes na região: os lusos José Manuel Correa e Tristão de
Oliveira. Cinco anos mais tarde está registrada a chegada dos primeiros
imigrantes alemães, João José Rath e Henrique Wasen, que elaboraram o
primeiro mapa da região. Antes, porém, a história nos mostra que o
município já tinha sido habitado pelo desbravador Juca Lageano, de quem
pouco se sabe. Da região de Caxias do Sul vieram os primeiros imigrantes
italianos. Ao mesmo tempo em que desenvolveu as tradições culturais dos
descendentes europeus, a cidade também evoluiu misturando-se aos
aspectos do gauchismo. O resultado pode ser encontrado ainda hoje na
culinária variada e na arquitetura do município.
Roteiro Raízes Coloniais atrai pela originalidade e
hospitalidade
Um passeio cultural pelas
origens da imigração italiana e seu encontro com as tradições do gaúcho.
Esta é apenas uma das definições que servem para descrever o roteiro
Raízes Coloniais de Gramado. Em meio a um imenso vale de araucárias
verdes e plantações de hortifrutigranjeiros, a visita tem encantado
centenas de turistas a cada semana. “Aqui as pessoas ficam encantadas
pois sentem que estão conhecendo, de maneira original, a verdadeira
história de Gramado”, afirma Judite Motin, guia da maior empresa de
turismo do Brasil, a CVC que faz este roteiro há aproximadamente um ano.
É no animado ônibus comandado pela Judite que nós embarcamos.
Há pouco mais de 4 Km do centro de Gramado, na localidade de Linha
Bonita, nossa primeira parada: Casa Centenária. A propriedade da família
Ferrari ainda hoje é ocupada pela matriarca Elizabeta. E é ela quem
recepciona cada um dos visitantes. Além de fotografar a residência de
madeira construída pelas mãos dos imigrantes, é possível visitar seu
interior ainda bem conservado. “Esse lugar é encantador. O contato com a
natureza e a receptividade de pessoas como a Dona Elizabeta Ferrari já
valem o passeio”, diz eufórico Rosalvo Ribeiro Mendes, que visita
Gramado ao lado de sua esposa, Schilene. Seguindo mais um quilômetro
pela estrada da Linha Bonita, o ônibus faz a sua mais longa parada.
Estamos no núcleo central
desta comunidade eminentemente rural do interior de Gramado. A bela
igrejinha de São Pedro Claver ergue-se ao lado de um antigo moinho. E é
por ali, na frente deste moinho, que os turistas são convidados por
Nélson Cavichion a conhecer o processo artesanal de fabricação da
farinha de milho. Em seu interior, Cavichion apresenta equipamentos
quase seculares ainda hoje em funcionamento.
Desde o processo de debulhar
o milho até a sua transformação em farinha. O destaque é o equipamento
chamado carinhosamente de Carla Perez. É um moedor e triturador dos
grãos de milho que, em funcionamento, chacoalha em movimento circular
como se estivesse rebolando. Na saída é possível comprar a farinha recém
moída. De acordo com os números da agência Turistur, que opera em
parceria com a CVC, em um ano de operação do passeio Raízes Coloniais,
25 mil pessoas já visitaram a localidade. Caminhando pela estradinha de
terra que passa pela frente da igreja, chegamos a Ervateria Artesanal de
Gramado. Ali, o visitante é convidado a fazer um passeio pela história
do chimarrão e conhecer cada passo de sua fabricação artesanal.
Para os turistas dos estados
do centro do Brasil, é um momento de descobrir os encantos e os segredos
do chimarrão. “É algo tão autêntico que parece que estamos visitando a
casa de um amigo ou vizinho”, afirma Judete Borba, promotora de Justiça
que veio de Recife-PE para conhecer Gramado e vai voltar levando uma
cuia, uma bomba e um quilo de erva mate artesanal. De volta ao ônibus, a
excursão nem tem tempo de embarcar já é hora de uma nova visita. Desta
vez ao museu do Sr. Nélson Fioezze. Ali nos deparamos com objetos do
início do século. Alguns usados outros trazidos pelos primeiros
imigrantes italianos que chegaram ao município, vindos de Caxias do Sul.
Seu Nélson agrada a todos com suas piadas e seu jeito caboclo de ser.
Alguns minutos adiante
chega-se ao último e mais esperado momento do roteiro raízes Coloniais:
uma típica merenda italiana servida pela família de Dona Zulmira.
Recebidos ao som de América, América, América..., somos levados de volta
ao início do século passado. Salame produzido pela família, queijo
colonial, sucos de uva, bolo de cenoura, cucas e o delicioso pão caseiro
feito no forno a lenha pela própria D. Zulmira. De volta ao centro de
Gramado, a alegria e a satisfação estão estampadas no rosto de cada um
dos visitantes que levam, além das lembranças, a certeza de terem
conhecido algo diferente de tudo aquilo que estão acostumados.
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