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As correntes marítimas no
litoral do Rio Grande do Sul
Com uma declividade de apenas dois graus, a plataforma marítima do Rio Grande
do Sul é bem mais rasa do que em outros lugares do litoral brasileiro. Por isso, quando
há uma ressaca, as ondas jogam muita areia na praia. Essa é a explicação para o fato
de, em alguns locais, a praia estar aumentando. O mar, então, recua, o que tem sido
acompanhado nas proximidades do molhe leste, na praia do Cassino, em Rio Grande.
Com 620 quilômetros de extensão, o Rio Grande do Sul tem a maior praia do mundo, entre
Torres e a Barra do Chuí, na fronteira com o Uruguai. Mas o litoral gaúcho não se
diferencia dos demais apenas pela quantidade de areia. Existem particularidades também no
mar, onde se reúnem diversas correntes.
Esse encontro de correntes se dá defronte a Rio Grande, estendendo-se por vezes até o
Chuí. Normalmente ocorre a quinze quilômetros da costa, mas já foi visto até na beira
da praia. Do Sul vem a corrente das Malvinas, com temperatura de quatro a cinco graus e
salinidade de 34 partes de sal por mil, em média, que vem "fervilhando de
vida", conforme explicam pesquisadores da Universidade Federal de Rio Grande.
Chega a ser escura, de tão rica em nutrientes. Eles é que permitem um melhor
desenvolvimento do fitoplâncton (microalgas que são a base de toda a cadeia alimentar
nos mares) e do zooplâncton (crustáceos microscópicos), cuja presença em grandes
volumes resulta na formação de enormes cardumes de peixes, devido à fartura da
alimentação.
Do Norte vem a corrente do Brasil, mais pobre em nutrientes, e com temperatura variando
entre 13 e 18 graus, com salinidade média de 28 a 33 partes por mil. Suas águas são
azuis e bem mais claras que as da corrente das Malvinas.
Ao se encontrarem, essas duas correntes formam algo parecido com o encontro das águas dos
rios Amazonas e Negro, próximo a Manaus. Mas ao seu azul mais claro e mais escuro,
junta-se um terceiro bloco de águas, bem barrento, resultado das chuvas e do escoamento
das lagoas, especialmente da Lagoa dos Patos que, quando está com uma correnteza maior,
chega a penetrar 150 quilômetros mar adentro.
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