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Dunas: destruição atinge a areia do
tuco-tuco

As dunas têm sido utilizadas para aterrar banhados e lagoas e fornecer areia
para a construção civil. Não obstante exista uma legislação que as proteja, poucas
vezes ela é lembrada.
Originalmente as dunas estendiam-se de Torres à Barra do Chuí, por toda a nossa costa -
mais de 620 quilômetros. Não se sabe exatamente a área que ocupavam, mas entravam até
quatro ou cinco quilômetros para dentro. Quanto terá restado? Ninguém sabe mas, em
relação ao Litoral Norte, alguns estudiosos arriscam uma previsão: não há mais do que
20% da cobertura original.
Como as dunas têm por finalidade estabilizar a praia, funcionamento como um depósito de
areia tanto para a praia como para a parte subaquática do mar, e formam uma barreira
contra inundações após as ressacas, é possível prever que sua destruição não pode
deixar de ter conseqüências, mais cedo ou mais tarde.
Além disto, no caso das mais antigas, as paleodunas, podem ser importantes depósitos
fósseis que precisam ser conservados, já que ali se encontram sambaquis e vestígios de
outras culturas. Do ponto de vista geológico, podem ainda ajudar a demarcar as
transgressões do mar, contribuindo para um melhor conhecimento da formação de nossa
costa.
Estudos realizados pela Universidade de Rio Grande próximo ao Farol da Sarita revelam que
em uma semana uma duna móvel "anda" até cinco quilômetros. Quem observa uma
duna e vê o vento movimentando constantemente a areia quando não existe cobertura
vegetal pode imaginar que ali não exista vida. Mas, se pensar assim, estará
completamente enganado, porque aquele é um ecossistema tão complexo quanto qualquer
outro.
A primeira linha de dunas, logo depois da praia, normalmente é úmida e com uma
vegetação baixa tolerante às condições salinas. As suas gramíneas, além de
auxiliarem na fixação dessas dunas, são suculentas e, graças a glândulas excretoras
de sal, têm capacidade de eliminá-lo, sem prejuízo de seu ciclo de vida. Nessas
primeiras dunas - com um máximo de dois a três metros de altura - existem caranguejos,
certas aranhas e alguns roedores como pequenos camundongos.
Depois delas encontram-se as dunas secundárias, distantes 50 a 100 metros da costa e que
podem alcançar até 20 metros de altura. Ali a vegetação é mais rica, incluindo-se a
erva-capitão, gramíneas e leguminosas com raízes muito profundas. Na sua fauna
destaca-se o tuco-tuco, que cava túneis enormes no meio da areia e tem hábitos noturnos.
Mas também existem cobras e lagartixas com uma curiosa capacidade de mimetismo: as que
ficam na vegetação são verdes e as que estiverem na areia adotarão a sua cor.
A mais de mil metros da costa ficam as dunas chamadas de terciárias e que podem alcançar
mais de vinte metros de altura (algumas das maiores do Estado estão situadas entre a
cidade de Mostardas e o mar; e também em Cidreira). Ali ocorrem arbustos e até pequenas
árvores, destacando-se entre sua fauna, além do tuco-tuco, outros roedores, insetos e
animais que habitam locais com mais vegetação, entre eles muitas aves.
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