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Turismo nas Missões
Paraguai -
Argentina -
Rio Grande do Sul
Posadas, base do
passeio no lado argentino
San Ignácio, muita coisa
para ver
Veja
tudo o que há para conhecer no lado argentino
Posadas, base do passeio
no lado argentino
A região missioneira argentina pode ser conhecida a partir da cidade de Posadas, às
margens do Rio Paraná, e onde antigamente foi instalada a primeira redução de Nuestra
Señora de la Encarnación de Itapua, antes de sua transferência para o outro lado do rio
-- atual território paraguaio --, onde atualmente está a cidade de Encarnación, sobre
as ruínas da redução.
Em Posadas -- uma cidade agradável, capital da Província de Misiones -- não há nada
para ver, mas, próximo dali, há o conjunto de ruínas mais importante da atual
Argentina, da antiga redução de San Ignácio Mini. Ela foi fundada originalmente em
1610, próximo ao rio Paranapanema, no Norte do Paraná, divisa com São Paulo, onde
atualmente está a cidade de Santo Inácio.
Vinte e um anos depois, em razão dos ataques dos bandeirantes, foi deslocada, juntamente
com a redução de Nuestra Señora de Loreto, para território da atual Argentina, sendo
construída em 1632 às margens do rio Yaveviri, um afluente do Paraná, mas, como o lugar
não era bom, foi levada, entre 1695 e 1696 para o local onde atualmente estão as
ruínas.
É o segundo grande conjunto de ruínas, de todas as existentes e, portanto, ponto de
passagem, obrigatório. O outro é Trinidad, no Paraguai. Logo na entrada da antiga redução o turista pode
contratar os serviços de jovens universitários que dão todas as informações a
respeito da vida, na época, e sobre os restos das construções e da arte missioneira.
Diante da importância das ruínas de San Ignácio Mini, em dezembro de 1983 foram
reconhecidas pela Unesco como patrimônio da humanidade, juntamente com a igreja de São
Miguel, no Rio Grande do Sul, que, embora deva ser visitada pois é a mais bem conservada,
não conseguiu conservar tantas ruínas quanto as existentes em San Ignácio Mini e
Trinidad.
San
Ignácio, muita coisa para ver
A atração principal de San Ignácio, a exemplo de todos os demais lugares, também é a
igreja, construída em estilo romano por dois arquitetos italianos, com 24 metros de
largura, 74 de comprimento e uma altura de 11 metros -- quatro a menos que a altura
original.
O teto era sustentado por duas colunas, que não existem mais. Na porta de entrada podem
ser observados dois anjos, um de cada lado: um olhando para o lugar onde nasce o sol e, o
outro, para onde o sol se põe. No meio estava San Ignácio, guardado pelos anjos, mas
esta parte da parede não existe mais. Consta que o lado direito da igreja teria sido
decorado pelos jesuítas e, o esquerdo, copiado pelos índios, podendo reparar-se que,
neste lado, as formas dos anjos esculpidos na pedra são mais perfeitas.
Os pisos octogonais da igreja são todos originais e, por isso, estão isolados, não
podendo ser pisados. Alguns ainda são mantidos intactos, mas a maior parte está rachada.
No batistério, deve observar-se a parede superior à arcada sustentada por colunas de
madeira muito bem conservadas.
Na entrada percebe-se indícios da existência de um coro, onde certamente se apresentava
o primeiro coral orquestral do rio da Prata, constituído, nessa redução, em 1696.
A redução de San Ignácio, além de sua produção agrícola e de ferro, foi o principal
centro de fabricação de instrumentos musicais para as outras reduções e, inclusive,
para exportação à Europa, onde competiam em igualdade de condições com os melhores
fabricados nesse continente.
No altar maior da igreja estão enterrados 17 jesuítas, entre os quais dois dos
fundadores: José Cataldino e Simão Maseta. As janelas que se observam na igreja tinham
todas vidro que era produzido na própria redução, nas cores verde e branco, dos quais
ainda podem ser vistos alguns pedaços no museu mantido na entrada da redução.
As portas eram todas muito trabalhadas, com inúmeras decorações, percebendo-se que
algumas não chegaram a ser terminadas. Neste caso, porque, quando os jesuítas foram
expulsos, os trabalhos não tiveram mais seqüência, por falta de quem orientasse os
índios.
Ao lado da igreja, de um lado está o cemitério e, do outro, as salas de aula, sala de
refeições dos padres, cozinha e o depósito de pratos e talheres. Os pisos são todos
decorados.
Na antiga biblioteca, os pisos têm um boi em alto relevo, estão praticamente intactos e,
para maior proteção, o local é fechado ao público. Observe-se, numa das salas de aula,
uma janela com forma octogonal, aberta na pedra. Acima do colégio havia um segundo piso,
onde moravam os jesuítas, mas não se conserva mais nada dele, além da escada de acesso.
Podem observar-se ainda 36 pavilhões, com seis a sete divisões cada um, onde moravam os
índios solteiros e casados. Originalmente eram 60 pavilhões. Defronte à igreja, no
outro lado da praça de armas, existem as ruínas de duas capelas -- uma para os solteiros
e outra para os casados --, onde os índios rezavam antes de entrar ou sair da redução.
No museu, na atual entrada da redução, há uma pia batismal toda trabalhada, utensílios
domésticos e outros materiais que eram produzidos na redução. Podem observar-se
trabalhos não só em cerâmica como em ferro, e ainda pisos de vários tipos, vidros,
telhas etc.
Como detalhes curiosos, uma figueira cobrindo uma parede das ruínas, a raiz de uma
árvore em forma de mulher e toda uma coluna envolvida por uma figueira, chamada pelas
pessoas do lugar como "a árvore do coração de pedra".
Veja tudo o que há para conhecer no lado argentino
O roteiro das ruínas das antigas reduções das margens do rio Paraná, em território
argentino, é o seguinte, a partir da cidade de Posadas: pela Ruta 12, que segue até
Eldorado e Puerto Iguazu -- na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná --, 24
quilômetros depois está a cidade de Candelária, onde existem poucos vestígios da
antiga capital das chamadas reduções do Paraná.
Vestígios e pedras cobertas por mato também podem ser encontrados em Sant'Ana (a 45
quilômetros de Posadas, e a um quilômetro da rodovia), em Loreto (a 51 quilômetros de
Posadas e a 10 antes de San Ignácio, a três quilômetros da rodovia) e em Corpus (a
cerca de 20 quilômetros de San Ingácio), locais de visita dispensável, onde não se faz
qualquer conservação. Havendo interesse, a única atração seria a beleza dos lugares,
com as ruínas todas tomadas por matas naturais.
Ainda em território argentino, das antigas reduções próximas ao rio Uruguai, somente
podem ser observadas as ruínas de Santa Maria, em San Javier, defronte à cidade
brasileira de Porto Xavier. Essas ruínas, restauradas, também não têm maior
importância, podendo a visita ser dispensada. San Javier está a 127 quilômetros de
Posadas, por asfalto. Dali é possível atravessar por balsa, para o Rio Grande do Sul,
seguindo-se em direção às primeiras ruínas em território brasileiro, em São Nicolau,
ou, então, retornar a Posadas e seguir para São Borja, através da Ruta 14,
percorrendo-se cerca de 160 quilômetros até a cidade de Santo Tomé, recentemente ligada
por ponte a São Borja. Santo Tomé e São Borja também foram reduções jesuíticas, mas
não restou qualquer ruína para ser admirada.
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